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Paz, liberdade, dignidade, justiça, terra. Como os desejos e quereres unem-se numa só frente humana. Um e todos. Todos em um. Um lugar de toda gente

(por Carolina Gutierrez)

Índios, negros, brancos, amarelos, azuis, furta-cores. Um balaio que cabe todo o mundo: brasileiros com as batucadas, americanos com bermudas cáqui e camisa estampada, africanos com roupas tipicamente belas e coloridas, palestinos com os característicos keffieh brancos e preto, japoneses com suas máquinas fotográficas…

A cidade das mangueiras assistiu ontem, dia 27 de janeiro, uma mescla de cores, que chuva nenhuma conseguiu desbotar. Mais de 100 mil gostos, sabores, cores, gentes juntaram-se na marcha de abertura da nona edição do Fórum Social Mundial – Belém 2009. Uniram-se em torno de um só querer: um mundo melhor.

Bandeiras, faixas, gritos de guerra, informativos, performances, rezas, cantigas e fantasias retratavam os objetivos e desejos mundiais: paz, liberdade, justiça e ética; igualdade de gêneros . direitos iguais aos gays; libertação do capital e do imperialismo; economia solidária e sustentável; defesa do meio ambiente; garantia dos direitos sociais, culturais, humanos,e conômicos;

Os gritos de protesto, as músicas de alegria e graça, o silêncio. Diferentes formas de expressar uma busca diversa, mas comum aos povos. Mais do que uma dimensão política, o Fórum Social Mundial mostra e grita a humanidade. Humano, por isso político.

Ao invés de abastecer o Oeste árido, obra poderia esvaziar o Yangtzé, provocando colapso hídrico e energético


As enormes tensões ambientais provocadas pelo crescimento acelerado da economia chinesa voltaram a emergir numa entrevista concedida pelo geólogo Yong Yang ao site independente norte-americano Alternet. Conhecido por ter sido o primeiro pesquisador (e aventureiro) a realizar são e salvo a travessia do trecho mais alto do rio Yangtzé, Yang julga que o desvio de parte do volume d’água do rio, para abastecer a regiões inóspitas do Oeste do país, está baseada em simples vontade política — não em cálculos científicos. As conseqüências poderiam ser um forte esvaziamento do Yangtzé, com desabastecimedo de água e paralisação de hidrelétricas.

Conduzido pelo governo chinês, o plano de transposição denomina-se “Projeto de Transferência Norte-Sul de Água”. Faz parte do esforço para evitar que, nos próximos 15 anos, surjam 30 milhões de “refugiados ambientais” no país, em face do aumento do consumo de águal, para fins agrícolas e industriais. Consiste numa série monumental de canais, do Yangtzé (ao sul) para o Rio Amarelo (ao norte). Consumirá 62 bilhões de dólares (ao menos duas Itaipus), em quinze anos.

Com base em uma série de observações sobre o rio, Yang acredita, contudo, que pode resultar num desastre. O geólogo teve acesso a planos oficiais que falam na transferência anual de algo como 8 a 9 bilhões de metros cúbicos. Mas segundo suas observações o débito total do Yangtzé cai, nos anos de seca, a  apenas 7 bilhões/ano.

Preocupações semalhantes às de Yang foram manifestadas, no ano passado, por um grupo de 50 cientistas, após avaliações que levaram em conta dados sobre estabilidade sísmica, poluição, mudança climática (espera-se redução do volume do rio, em funbção da diminuiçãpo dos glaciares do Himalaia) e produção hidrelética. Mas  Yan crê que a lógica do governo chinês cria pressões irrealistas em favor da obra. “O governo estabelece uma meta. Então, seus pesquisadores pensam que cale a eles dizer que ela pode ser alcançada.Todos procuram mostra-se otimistas, e tentam encontrar dados que dêem respaldo a esta postura”…

Espera-se que Barack Obama emita logo ao tomar posse a ordem de fechar a prisão sem-lei. Mas a CIA pode ter, espalhado pelo mundo, um arquipélago de prisões secretas

Cresceram ontem as especulações segundo as quais o campo de prisioneiros dos EUA em Guantánamo (Cuba) — conhecido por inúmeros denúncias de desrespeitos aos direitos humanos — está com os dias contatos. Assessores de Barack Obama afirmaram à Agência AP, sob condição de anonimato, que uma ordem presidencial neste sentido será emitida logo após o novo presidente assumir a Casa Branca. Ao contrário do que se pensa, contudo, o ato não interromperá as violações aos direitos humanos praticadas contra prisioneiros por tropas norte-americana — em especial nas guerras do Afeganistão e Iraque.

Um texto publicado ontem pela Agência IPS ajuda a jogar luz sobre a rede de prisões secretas mantidas pelo exército dos EUA ou pela CIA em diversas partes do mundo, a pretexto da “Guerra contra o terror”. A matéria descreve a situação na base aérea norte-americana de Begram, próxima a Kabul, capital do Afeganistão. Criada em 2001, logo após a invasão do país, ela abriga hoje entre 600 e 700 prisioneiros — três vezes mais que Guantánamo. Denúncias bem documentadas de assassinatos, tortura e “desaparecimento” de prisioneiros levaram os EUA, em 2005, a tentar transferi-la para o governo afegão. Não houve sucesso. Ainda no ano passado, um relatório da Cruz Vermelha Internacional denunciou que abusos contra prisioneiros continuavam a ser praticados.

Em setembro de 2006, Le Monde Diplomatique publicou artigo revelando que a rede de prisões ilegais poderia ser ainda mais vasta: um verdadeiro “arquipélago”.  Algumas da suas “ilhas” estariam situadas em países com regimes ditatoriais (Síria, Marrocos, Egito, por exemplo). Outras, porém, estariam situadas na própria Europa, em nações da esfera de influência de Washington, como Polônia e Romênia. Denúncias com este teor levaram uma comissão do Parlamento Europeu a determinar a investigação do tema.

O enfraquecimento do poder de George Bush e dos políticos e assessores “neoconservadores”,  que o rodeavam, assim como a multiplicação das denúncias, podem ter amenizado as violações. Mas parece claro que, além do gesto simbólico importantíssimo do fechamento de Guantánamo, será preciso mais investigações e mudanças políticas e legais para interromper o desrespeito aos direitos humanos.

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