Como Pequim inspira o PC

Hipótese acalentada por alguns, no partido: manter o controle do poder, e estimular um setor capitalista

(continuação da postagem anterior)

Embora permaneça, a hipótese de desestabilização vinda de Washington está visivelmente enfraquecida. Iraque e Afeganistão expõem, todos os dias, os limites do poder militar, diplomático e de inteligência dos Estados Unidos. As primárias para as eleições à Presidência revelam o esgotamento, ao menos momentâneo, da postura arrogante e agressiva que marcou o governo Bush. O declínio do dólar e os sinais de fragilidade financeira norte-americana embaçam o brilho das luzes capitalistas que cintilam desde Miami.

Do ponto de vista do regime, a manutenção do centralismo burocrático está perdendo terreno. Stefanoni aponta elementos muito concretos de construção de uma alternativa “à chinesa”. Nesta hipótese, o PC procuraria manter o poder político, mas estimularia o surgimento de um setor capitalista privado, e mesmo a entrada mais intensa de investidores estrangeiros, procurando uma aliança com ambos. Os sinais apontando para isso são: o conhecido aumento da desigualdade (o sistema de duas moedas, que garante enormes privilégios a quem tem acesso a divisas estrangeiras parece eternizar-se; e a emergência de uma elite de administradores com visão empresarial clássica. Muitas vezes ligados às Forças Armadas, eles têm sido crescentemente encarregados encarregados de setores-chaves da economia (turismo, tabaco, açúcar, comércio externo, telecomunicações). Formados muitas vezes em escolas européias, seu modelo de gestão já não é o do velho socialismo (garantia de emprego, salários relativamente nivelados, obediência ao plano estatal), mas a busca de resultados e expansão.

(continua na postagem a seguir)

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2 Responses to “Como Pequim inspira o PC”

  1. Depois de Fidel, o que? Em que pese a ilha “sobreviver” as expensas de exportações de açucar, tabaco e sobretudo turismo, a condução econômica do país vem mantendo o status miserável graças aos embargos promovido pelo liberalismo norte-americano. Pensar em um imediato retorno a democracia formal ainda é muito cedo. Abrir as portas as relações multilaterais (gradativamente vem sendo feito), é ademocracia material, mas, pensar num modelo econômico sustentado pelo capital estadunidense seria retomar o desastre anterior a Revolução e ignorar os avanços sociais alcançados pelos ideais que a motivaram. A resposta a esta indagação talvez resida na corajosa postura dos países latino-americanos que não se curvaram a interesses postulados pelos neo-liberais, mas sustentam um discurso que não alija das relações internacionais mas as coloca no lugar que lhes é devido. O custo do ônus da desigualdade social não pode desconsiderar os avanços na área educacional e da saúde conquistada a duras penas. Vamos aguardar. O caminho da democracia é longo, mas não utópico, “a história dará o seu testemunho”.

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