Redes livres, criatividade e repressão

A prisão, em São Gonçalo (Baixada Fluminense), de Bruno Assumpção, um jovem empreendedor especialista em redes de comunicação, pode abrir um debate indispensável no Brasil. Bruno descobriu como distribuir, para algumas dezenas de vizinhos, o sinal de banda larga de internet que recebe de uma operadora telefônica. Bolou um modelo de negócio bem-sucedido: por R$ 30, mais uma placa para conexão sem fio, é possível navegar sem limite de tempo, com velocidade razoável, deixando livre o telefone. Deixou de freqüentar as estatísticas de desocupação.

Foi preso há cerca de um mês, porque as leis de propriedade que herdamos do passado são incapazes de lidar com a idéia dos bens comuns — embora novas relações sociais, e o avanço da tecnologia os multipliquem sem cessar. Parte da história de Bruno (que aguarda julgamento em liberdade) está contada numa ótima reportagem de Ítalo Nogueira, publicada na Folha de hoje (sim, há alguns resquícios de bom jornalismo na mídia comercial…) e reproduzida em nosso clip.

Há centenas de Brunos espalhados pelas periferias do Brasil. É pelas quebradas que está chegando, no país, a idéia das redes livres. Em várias partes do mundo, coletivos dispostos a lutar pela liberdade de informação estão montando redes alternativas às comerciais — e quase sempre gratuitas. A tecnologia sem fio permite que os sinais da internet sejam captados em qualquer parte do mundo, por um custo irrisório. As informações e serviços disponíveis na rede são produzidas por bilhões de pessoas. Que sentido há em oferecer a mega-empresas o direito de cobrar por eles?

No clip há mais informações e links sobre redes livres que estão sendo montadas em muitas partes do mundo. O blog produzirá matéria a respeito. Para contribuir, envie seu comentário, informação ou análise.

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2 Responses to “Redes livres, criatividade e repressão”

  1. R$ 30,00 é caro!
    É lamentável que uma pessoa que diz “trabalhar no ramo da Informática” utilize seus conhecimentos para afanar diheiro dos outros.
    A empresa telefônica oferece Velox por um preço um pouco maior que os R$ 30,00, com assistência técnica e velocidade bem mais alta. Inclusive, em alguns planos que incluem outros serviços, o Velox custa menos de R$ 30,00.
    Então, o Bruno não passaria de mais um “espertinho” tentando se dar bem à custa de alguns de seus vizinhos não menos corruptos e da velha e “agasalhadora” impunidade.
    Nosso país precisa de educação para não formar mais “Brunos” e sim pessoas com carater, conhecimentos e vontade de empreender em um mercado que tem um grande futuro chamado “Brasil de verdade”.
    Enquanto isso não vem, os “Brunos” deveriam aprender outra atividade: votar bem.

    Resposta: Caro Jaavar, ninguém pagaria mais caro por um produto de pior qualidade. A matéria da Folha de fato é imprecisa em relação aos preços, e não tenho os dados corretos. O fato inquestionável é: a inclusão digital no Brasil está sendo feita, em grande medida, por gente como Bruno. Gente que não representa mercado para grandes empresas mas tem tanto direito de acessar a internet quanto os que compartilhamos este blog. Há soluções ainda melhores: as cidades com 100% de cobertura grátis, sem fio — algo que também começam a pipocar pelo país. Abraço. Antonio Martins

  2. ei galera

    uma rede livre é uma rede de solidariedade e colaboração. o bruno não pode ser qualificado ou mesmo exemplo dessa rede pois cobrava pelo serviço! livre é livre em preço e em liberdade!! cuidado ao associar conceitos dos movimentos sociais à iniciativas individuais e não menos capitalistas. rede livre é uma rede aberta, gestionada coletivamente, onde se tem domínio das ferramentas e tecnologias usadas, para além do mero recurso.

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